Equação da dinâmica de rotação

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Sólido rígido

ATENÇÃO: Página do Prof: Everton G. de Santana

Nesta página eu apenas traduzi podendo ter introduzido, retirado ou não alguns tópicos, inclusive nas simulações. A página original, que considero muito boa é:

www.sc.ehu.es/sbweb/fisica

Autor: (C) Ángel Franco García

Dinâmica de rotação
marca.gif (847 bytes)Equação da
 dinâmica de rotação
Momentos de inércia
Dinâmica de rotação
e balanço energético
Pêndulo de torção
Pêndulo composto
O balanço
Atrito no
movimento de rotação
O oscilador de 
"Atwood"
Varinha inclinada
Lápis que cai (I)
Lápis que cai (II)
Escada que desliza
Escada, estática e
dinâmica
Momento angular de uma partícula

Momento angular de um sólido rígido

Teorema de Steiner

Energia cinética de rotação

Equação da dinâmica de rotação

Princípio de conservação do momento angular

Trabalho e energia no movimento de rotação

Impulso angular

 

Momento angular de uma partícula

solido9.gif (1625 bytes) Se define momento angular de uma partícula como o produto vetorial do vetor posição r pelo vetor momento linear mv

L=r´mv

 

Momento angular de um sólido rígido

As partículas de um sólido rígido em rotação ao redor de um eixo fixo descrevem circunferências centradas no eixo de rotação com uma velocidade que é proporcional ao raio da circunferência que descrevem vi=w ·ri

solido1.gif (2318 bytes) Na figura, é mostrado o vetor momento angular Li de uma partícula de massa mi cuja posição é dada pelo vetor ri e que descreve uma circunferência de raio Ri com velocidade vi.

O módulo do vetor momento angular vale Li=rimivi

Sua projeção sobre o eixo de rotação Z é

Liz=miviricos(90-q i), logo,

O momento angular de todas as partículas do sólido é

A projeção Lz do vetor momento angular ao longo do eixo de rotação é

O termo entre parênteses é denomina momento de inércia

Em geral, o vetor momento angular L não tem a direção do eixo de rotação, logo, o vetor momento angular não coincide com sua projeção Lz ao longo do eixo de rotação. Quando coincidem dizemos que o eixo de rotação é um eixo principal de inércia.

Para estes eixos existe uma relação simples entre o momento angular e a velocidade angular, dois vetores que tem a mesma direção, a do eixo de rotação

L=Iw

O momento de inércia não é uma quantidade característica como a massa ou o volume, e sim que seu valor depende da posição da massa relativa ao eixo de rotação. O momento de inércia é mínimo quando o eixo de rotação passa pelo centro de massa.

Corpo

Momento de inércia Ic

Varinha delgada de comprimento L

Disco e cilindro de raio R

Esfera de raio R

Aro de raio R

mR2

 

Teorema de Steiner

O teorema de Steiner é uma fórmula que nos permite calcular o momento de inércia de um sólido rígido relativo a um eixo de rotação que passa por um ponto O, quando conhecemos o momento de inércia relativo a um eixo paralelo ao anterior e que passa pelo centro de massas e a distância entre os eixos.

O momento de inércia do sólido relativo a um eixo que passa por O é

O momento de inércia relativo a um eixo que passa por C é

Para relacionar IO e IC temos que relacionar ri e Ri.

solido2.gif (1778 bytes)

Na figura, temos que

O termo intermediário no segundo membro é zero já que obtemos a posição xC do centro de massa desde o centro de massa (condição para que C seja o centro de massas do sistema).

Exemplo

Seja uma varinha de massa M e comprimento L, que tem duas esferas de massa m e raio r simetricamente dispostas a uma distância d do eixo de rotação que é perpendicular a varinha e passa pelo ponto médio da mesma.

Um pêndulo consiste em uma varinha de massa M e comprimento L, e um corpo de forma cilíndrica de massa m e raio r. O pêndulo pode oscilar ao redor de um eixo perpendicular a varinha que passa por seu extremo O

 

Energia cinética de rotação

As partículas do sólido descrevem circunferências centradas no eixo de rotação com uma velocidade que é proporcional ao raio da circunferência que descrevem vi=w ·ri . A energia cinética total é a soma das energias cinéticas de cada uma das partículas. Esta soma pode ser expressa de forma simples em termos do momento de inércia e a velocidade angular de rotação

 

Equação da dinâmica de rotação

Consideremos um sistema de partículas. Sobre cada partícula atuam as forças externas ao sistema e as forças de interação mútua entre as partículas do sistema. Suponhamos um sistema formado por duas partículas. Sobre a partícula 1 atua a força externa F1 e a força que exerce a partícula 2, F12. Sobre a partícula 2 atua a força externa F2 e a força que exerce a partícula 1, F21.

Por exemplo, se o sistema de partículas fosse o formado pela Terra e a Lua: as forças externas seriam as que exerce o Sol ( e o resto dos planetas) sobre a Terra e sobre a Lua. As forças internas seriam a atração mútua entre estes dois corpos celestes.

solido3.gif (1958 bytes) Para cada uma das partículas se cumpre que a variação do momento angular com o tempo é igual ao momento da resultante das forças que atuam sobre a partícula considerada.

Somando membro a membro, aplicando a propriedade distributiva do produto vetorial, e tendo em conta a terceira Lei de Newton, F12=-F21, temos que

Como os vetores r1-r2 e F12 são paralelos seu produto vetorial é zero. Por que nos dá

A derivada do momento angular total do sistema de partículas com relação ao tempo é igual ao momento das forças externas que atuam sobre as partículas do sistema.

Consideremos agora que o sistema de partículas é um sólido rígido que está girando ao redor de um eixo principal de inércia, então o momento angular L=w, a equação anterior é escrita

Momento angular de um sistema de partículas

Consideremos o sistema de duas partículas da figura anterior. O momento angular total do sistema relativo a origem é

L=r1´ m1·v1+r2´ m2·v2

Calculamos o momento angular relativo ao centro de massas

r1cm=r1-rcm
r2cm=r2-rcm

v1cm=v1-vcm
v2cm=v2-vcm

O momento angular relativo a origem é a soma de duas contribuições:

L=(r1cm+rcm) ´ m1·(v1cm+vcm)+ (r2cm+rcm) ´ m2·(v2cm+vcm)=

(r1cm ´ m1·v1cm)+ (r2cm ´ m2·v2cm)+ rcm´ (m1·v1cm+ m2·v2cm)+ (m1·r1cm+ m2·r2cm) ´ vcm

Da definição de posição e velocidade do centro de massas, temos que

m1·v1cm+ m2·v2cm=0,
m1·r1cm+ m2·r2cm=(m1+m2)·rcm

L=Lcm+(m1+m2rcm ´ vcm

Em geral, para um sistema de partículas de massa total m

L=Lcm+m·rcm ´ vcm

O primeiro termo, é o momento angular interno relativo ao sistema c.m. e o último termo, o momento angular externo relativo ao sistema de laboratório, como se toda a massa estivesse concentrada no centro de massa.

Relação entre o momento das forças externas Mext e o momento angular interno Lcm.

O momento das forças externas relativo a origem é a suma de duas contribuições

Mext= r1´F1+r2´ F2=(r1cm+rcm) ´ F1+(r2cm+rcm) ´ F2= r1cm´ F1+r2cm´ F2+ rcm´ (F1+F2)=

Mcm+ rcm´ (F1+F2).

Mext= Mcm+ rcm´ Fext.

O primeiro termo é o momento das forças externas relativo ao c.m. e o segundo é o momento da força resultante F1+F2 como se estivesse aplicada no centro de massas.

Derivando relativo ao tempo o momento angular total L, temos

Tendo em conta que o segundo termo e o produto vetorial de dois vetores paralelos e que a equação do movimento do c.m. é

resulta

Como foi demonstrado no tópico anterior que

Obtemos a relação

Estas duas relações são idênticas porém existem diferenças em sua interpretação. Na primeira é calculado o momento angular L e o momento das forças externas Mext relativo a um ponto fixo O (origem do sistema de coordenadas) em um sistema de referência inercial. Na segunda é calculado o momento angular Lcm e o momento das forças Mcm relativo ao sistema de referências do centro de massas inclusive se não está em repouso com relação ao sistema inercial de referência O.

Esta última relação, é a que empregaremos para descrever o movimento do c.m. de um sólido rígido.

Vamos estudar com mais detalhes a validade da relação

Sendo A um ponto arbitrário, LA o momento angular do sistema de partículas relativo a A e MA o momento total das forças externas relativo ao mesmo ponto.

A posição da partícula i relativo a origem do sistema de referência inercial é ri, a posição desta partícula relativo a A é riA. Na figura, é mostrada a relação entre estes dois vetores

ri=rA+riA

A velocidade da partícula i relativo ao sistema de referência inercial é vi, e do ponto A é vA.

O momento angular do sistema de partículas relativo a A, LA é

Seja Fi a força externa que atua sobre a partícula i. A segunda lei de Newton (para sistemas de massa constante) afirma que

O momento das forças externas relativo a A é

Como a posição do centro de massas rcm é definida

Sendo M a massa total do sistema de partículas, chegamos a relação

Podemos obter a mesma relação derivando o momento angular LA relativo ao tempo

Quando o termo M(rcm-rAaA desaparece, a relação MA=dLA/dt é cumprida. Isto ocorre nos seguintes casos:

  • Quando o ponto A coincide com o centro de massas rcm=rA

  • Quando a aceleração de A é zero aA =0, logo, A se move com velocidade constante.

  • Quando a aceleração de A, aA é paralela ao vetor (rcm-rA)

Nos exemplos da secção Movimento geral de um sólido rígido empregaremos unicamente a relação

O momento angular Lcm do sólido rígido e o momento das forças externas Mcm são calculados com relação ao centro de massas.

 

Princípio de conservação do momento angular

O princípio de conservação do momento angular afirma que se o momento das forças externas é zero (o que não implica que as forças externas sejam zero, que seja um sistema isolado), o momento angular total se conserva, logo, permanece constante.

 

Trabalho e energia no movimento de rotação

Em outra página relacionamos o trabalho da resultante das forças que atuam sobre uma partícula com a variação de energia cinética desta partícula.

trabajo_rot.gif (1827 bytes) Considere um corpo rígido que pode girar ao redor de um eixo fixo tal como é indicado na figura. Suponhamos que é aplicada uma força externa F no ponto P. O trabalho realizado por esta força a medida que o corpo gira percorrendo uma distância infinitesimal ds=rdq no tempo dt é

senf é a componente tangencial da força, a componente da força ao longo do deslocamento. A componente radial da força não realiza trabalho, já que é perpendicular ao deslocamento.

O momento da força é o produto da componente tangencial da força pelo raio. A expressão do trabalho podemos escrever de forma alternativa

O trabalho total quando o sólido gira um ângulo q é

Na dedução foi levado em conta a equação da dinâmica de rotação M=Ia , e a definição de velocidade angular e aceleração angular.

Obtemos uma equação análoga ao teorema trabalho-energia para uma partícula. O trabalho dos momentos das forças que atuam sobre um sólido rígido em rotação ao redor de um eixo fixo modifica sua energia cinética de rotação.

 

Impulso angular

Na dinâmica de uma partícula vimos o conceito de impulso linear. Uma força aplicada durante um tempo modifica o momento linear (a velocidade da partícula).

No caso de um sólido em rotação a grandeza equivalente é denominada impulso angular.

impulso_a.gif (1803 bytes) O momento das forças que são aplicadas durante um tempo t a um sólido rígido em movimento de rotação ao redor de um eixo fixo, modifica o momento angular do sólido em  rotação.