Princípio de Arquimedes

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Fluidos

ATENÇÃO: Página do Prof: Everton G. de Santana

Nesta página eu apenas traduzi podendo ter introduzido, retirado ou não alguns tópicos, inclusive nas simulações. A página original, que considero muito boa é:

www.sc.ehu.es/sbweb/fisica

Autor: (C) Ángel Franco García

Estática de fluidos
marca.gif (847 bytes)Principio de Arquimedes
Medida da densidade 
de um líquido e de um sólido
Flutuação entre dois líquidos
não miscíveis
Equilíbrio de uma varinha
parcialmente submersa
Movimento de um corpo
no seio de um fluido ideal
Movimento de uma bolha
em um fluido viscoso
Flutuação de um barco
Oscilações de uma bóia
Oscilações de 
uma esfera
O diabinho de Descartes
Princípio de Arquimedes

Energia potencial mínima.

Energia potencial de um corpo que se move no seio de um fluido

Energia potencial de um corpo parcialmente submerso

java.gif (886 bytes)Atividades

 

Princípio de Arquimedes

O princípio de Arquimedes afirma que todo corpo submerso em um fluido experimenta um empuxo vertical e para cima igual ao peso de fluido deslocado.

A explicação do princípio de Arquimedes consta de duas partes como é indicado nas figuras:

  1. O estudo das forças sobre uma porção de fluido em equilíbrio com o resto do fluido.
  2. A substituição desta porção de fluido por um corpo sólido de mesma forma e dimensão.

arquimedes_1.gif (4544 bytes)

Porção de fluido em equilíbrio com o resto do fluido.

Consideremos, em primeiro lugar, as forças sobre uma porção de fluido em equilíbrio com o resto de fluido. A força que exerce a pressão do fluido sobre a superfície de separação é igual a p·dS, onde p somente depende da profundidade e dS é um elemento de superfície.

Posto que a porção de fluido se encontra em equilíbrio, a resultante das forças devidas a pressão deve ser anulada com o peso de desta porção de fluido. A esta resultante denominamos empuxo e seu ponto de aplicação é o centro de massa da porção de fluido, denominado centro de empuxo.

Deste modo, para uma porção de fluido em equilíbrio com o resto, é obedecido

Empuxo=peso=rf·gV

O peso da porção de fluido é igual ao produto da densidade do fluido rf  pela aceleração da gravidade g e pelo volume desta porção V.

Substituímos a porção de fluido por um corpo sólido de mesma forma e dimensões.

Se substituirmos a porção de fluido por um corpo sólido de mesma forma e dimensões. As forças devidas a pressão não mudam, por tanto, sua resultante que denominamos empuxo é a mesmo atua no mesmo ponto, denominado centro de empuxo.

O que muda é o peso do corpo sólido e seu ponto de aplicação que é o centro de massa, que pode ou não coincidir com o centro de empuxo.

arquimedes_2.gif (2179 bytes) Por tanto, sobre o corpo atuam duas forças: o empuxo e o peso do corpo, que não tem a princípio o mesmo valor nem estão aplicadas no mesmo ponto.

Nos casos mais simples, supomos que o sólido e o fluido são homogêneos e por tanto, coincidem o centro de massa do corpo com o centro de empuxo.

Exemplo:

Suponhamos um corpo submerso de densidade ρ rodeado por um fluido de densidade ρf. A área da base do corpo é A e sua altura h.

A pressão devida ao fluido sobre a base superior é p1= ρfgx, e a pressão devida ao fluido na base inferior é p2= ρfg(x+h). A pressão sobre a superfície lateral é variável e depende da altura, está compreendida entre p1 e p2.

As forças devidas a pressão do fluido sobre a superfície lateral são anuladas. As outras forças sobre o corpo são as seguintes:

  • Peso do corpo, mg

  • Força devida a pressão sobre a base superior, p1·A

  • Força devida a pressão sobre a base inferior, p2·A

No equilíbrio teremos que

mg+p1·A= p2·A
mg
+ρfgx·A= ρfg(x+hA

ou então,

mg=ρfh·Ag

Como a pressão na face inferior do corpo p2 é maior que a pressão na face superior p1, a diferença é ρfgh. O resultado é uma força para cima ρfgh·A sobre o corpo devida ao fluido que o rodeia.

Como vemos, a força de empuxo tem sua origem na diferença de pressão entre a parte superior e a parte inferior do corpo submerso no fluido.

Com esta explicação surge um problema interessante e debatido. Suponhamos que um corpo de base plana (cilíndrico ou em forma de paralelepípedo) cuja densidade é maior que a do fluido, descansa no fundo do recipiente.

Se não há fluido entre o corpo e o fundo do recipiente, desaparece a força de empuxo, tal como é mostrado na figura

Se enchemos um recipiente com água e colocamos um corpo no fundo, o corpo ficaria em repouso sujeito a seu próprio peso mg e a força p1A que exerce a coluna de fluido situada acima do corpo, inclusive se a densidade do corpo fosse menor que a do fluido. A experiência demonstra que o corpo flutua e chega a superfície.

O princípio de Arquimedes segue sendo aplicável em todos os casos e é enunciado em muitos textos de Física do seguinte modo:

Quando um corpo está parcialmente ou totalmente submerso em um fluido que o rodeia, uma força de empuxo atua sobre o corpo. Esta força tem direção para cima e sua intensidade é igual ao peso do fluido que foi deslocado pelo corpo.

 

Energia potencial mínima.

Neste tópico, estudamos o princípio de Arquimedes como um exemplo, de como a natureza busca minimizar a energia.

Suponhamos um corpo em forma de paralelepípedo de altura h, secção A e de densidade ρs. O fluido está contido em um recipiente de secção S  até uma altura b. A densidade do fluido é ρf> ρs.

Liberamos o corpo, este oscila para cima e para baixo, até que alcança o equilíbrio flutuando sobre o líquido ficando submerso um comprimento x.  O líquido do recipiente sobe até uma altura d. Como a quantidade de líquido não variou S·b=S·d-A·x

Temos que calcular x, de modo que a energia potencial do sistema formado pelo corpo e o fluido seja mínima.

Tomamos o fundo do recipiente como nível de referência da energia potencial.

O centro de massa do corpo se encontra a uma altura d-x+h/2. Sua energia potencial é Es=(ρs·A·h)g(d-x+h/2)

Para calcular o centro de massas do fluido, consideramos o fluido como uma figura sólida de secção S e altura d ao qual falta uma porção de secção A e altura x.

  • O centro de massas da figura completa, de volume S·d é d/2

  • O centro de massas do oco, de volume A·x, está a uma altura (d-x/2)

A energia potencial do fluido é Ef=ρf(Sb)g·yf

A energia potencial total é Ep=Es+Ef

O valor da constante aditiva cte, depende da escolha do nível de referência da energia potencial.

Na figura, representamos a energia potencial Ep(x) para um corpo de altura h=1.0, densidade ρs=0.4, parcialmente submerso em um líquido de densidade ρf=1.0.

A função apresenta um mínimo, que é calculado derivando a energia potencial com relação a x e igualando a zero

Na posição de equilíbrio, o corpo se encontra submerso

 

Energia potencial de um corpo que se move no seio de um fluido

arquimedes_3.gif (2174 bytes) Quando um balão de hélio sobe no ar atuam sobre o balão as seguintes forças:
  • O peso do balão Fg=mgj .
  • O empuxo Fe= rfVgj, sendo rf  a densidade do fluido (ar).
  • A força de atrito Fr devida a resistência do ar

Dada a força conservativa podemos determinar a fórmula da energia potencial associada, integrando

  • A força conservativa peso Fg=mgj está associada com a energia potencial Eg=mg·y.
  • Pela mesma razão, a força conservativa empuxo Fe= rVg j está associada a energia potencial Ee=-rfVg·y.

Dada a energia potencial podemos obter a força conservativa, derivando

A energia potencial associada com as duas forças conservativas é

Ep=(mg- rfVg)y

A medida que o balão sobe no ar com velocidade constante experimenta uma força de atrito Fr devida a resistência do ar. A resultante das forças que atuam sobre o balão deve ser zero.

rf Vg- mg-Fr=0

Como rfVg> mg a medida que o balão sobe sua energia potencial  Ep diminui.

Empregando o balanço de energia obtemos a mesma conclusão

O trabalho das forças não conservativas Fnc modifica a energia total (cinética mais potencial) da partícula. Como o trabalho da força de atrito é negativo e a energia cinética Ek não varia (velocidade constante), concluímos que a energia potencial final EpB é menor que a energia potencia inicial EpA.

Na página titulada "movimento de um corpo no seio de um fluido ideal", estudaremos a dinâmica do corpo e aplicaremos o princípio de conservação da energia.

 

Energia potencial de um corpo parcialmente submerso

No tópico anterior, estudamos a energia potencial de um corpo totalmente submerso em um fluido (um balão de hélio na atmosfera). Agora vamos supor um bloco cilíndrico que se colocado sobre a superfície de um fluido (por exemplo água).

Podem ocorrer dois casos:

  • Que o bloco está parcialmente submerso se a densidade do corpo sólido é menor que a densidade do fluido, rs< rf.
  • Que o corpo esteja totalmente submerso se rs³ rf.

Quando o corpo está parcialmente submerso, sobre o corpo atuam duas forças o peso mg=rsSh·g que é constante e o empuxo rfSx·g que não é constante. Sua resultante é

F=(-rsShg+rfSxg)j.

Onde S a área da base do bloco, h a altura do bloco e x a parte do bloco que está submersa no fluido.

Temos uma situação análoga a de um corpo que é colocado sobre uma mola elástica na posição vertical. A energia potencial gravitacional mgy do corpo diminui, a energia potencial elástica da mola kx2/2 aumenta, a soma de ambas alcança um mínimo na posição de equilíbrio, quando é obedecido –mg+kx=0, quando o peso se iguala a força que exerce a mola.

O mínimo de Ep é obtido quando a derivada de Ep relativo a y é zero, logo na posição de equilíbrio.

arquimedes_4.gif (3796 bytes)

A energia potencial do corpo parcialmente submerso será, de forma análoga

O mínimo de Ep é obtido quando a derivada de Ep relativo a y é zero, logo, na posição de equilíbrio, quando o peso é igualado ao empuxo. -rsShg+rfSxg=0

O bloco permanece submerso um comprimento x. Nesta fórmula, foi designado r como a densidade relativa do sólido (relativo ao fluido) logo, a densidade do sólido tomando a densidade do fluido como a unidade.

Forças sobre o bloco

  1. Quando r <1 ou então rs< rf, o corpo permanece parcialmente submerso na situação de equilíbrio.
  1. Quando r >1 ou então rs> rf, o peso é sempre maior que o empuxo, a força liquida que atua sobre o bloco é

Fy=-rsShg+rfShg<0.

Não existe por tanto, posição de equilíbrio, o bloco cai até que chega ao fundo do recipiente que supomos muito grande.

  1. Quando r =1 ou então rs= rf, O peso é maior que o empuxo enquanto o bloco está parcialmente submerso (x<h).

Fy=-r Shg+r Sxg<0.

A força liquida que atua sobre o bloco quando está completamente submerso (x³ h) é zero, qualquer posição do bloco, completamente submerso no seio do fluido, é de equilíbrio.

 

Curvas de energia potencial

  1. A energia potencial correspondente a força conservativa peso é

Eg= rsShgy

  1. A energia potencial correspondente a força de empuxo tem duas partes

arquimedes_5.gif (3176 bytes)

  • Enquanto o corpo está parcialmente submerso (x<h)

Que corresponde a área do triângulo da figura da esquerda.

  • Quando o corpo está totalmente submerso (x³ h)

Que corresponde a soma da área de um triângulo de base h, e a de um retângulo de base x-h.

  1. A energia potencial total é a soma das duas contribuições

Ep=Eg+Ef

Quando a densidade do sólido é igual a do fluido rs= rf, a energia potencial total Ep é constante e independente de x (ou de y) para x³ h como podemos comprovar facilmente.

 

Atividades

Introduza

  • A densidade do sólido r  relativa ao fluido na barra de deslocamento titulada Densidade relativa.
Clique no botão titulado Começar.

O bloco tem uma altura h=1 de uma unidade e uma secção S. Colocamos o bloco justamente acima da superfície do fluido. A altura de seu centro de massas é y0=1.5 unidades.

Soltamos o bloco, chega até a posição final de equilíbrio ye= r h, se a densidade r <1, ou até o fundo do recipiente se a densidade r >1.

O programa interativo não faz nenhuma suposição acerca do modo no qual o bloco parte da posição inicial e chega a posição final (não calcula a posição e velocidade do corpo em cada instante), já que o objetivo do programa é o de mostrar as variações na energia potencial Ep do corpo com a posição y do c.m. do mesmo.

Na parte direita na simulação, é traçada:

  • a energia potencial devida a força conservativa peso Eg (em cor preta),
  • a energia potencial devida ao empuxo Ef (em cor azul)
  • a soma de ambas contribuições Ep (em cor vermelha) em função da posição y do c.m. do bloco

Como podemos ver a curva da energia potencial gravitacional Eg (em cor preta) é uma reta cujo valor máximo está na posição inicial y=1.5 e é zero quando o bloco chega ao fundo y=0.

A curva da energia potencial correspondente ao empuxo Ef (em cor azul) é algo mais complicada e consta de duas partes: Uma parábola enquanto o corpo está parcialmente submerso (x<h) ou (y>0.5), unida a uma linha reta quando o corpo está completamente submerso (x³ h) ou (y£ 0.5). A energia potencial inicial é zero e vai aumentando a medida que o corpo é submerso no fluido.

A curva da energia potencial total Ep (em cor vermelha) é a soma das duas contribuições, Ep=Eg+Ef

Para traçar estes gráficos foi tomada como unidade de energia, a energia potencial inicial do bloco rsShg·y0 com y0=1.5, h=1 y rs=r , densidade do sólido relativa ao fluido rf=1. Deste modo, a energia potencial inicial do bloco é uma unidade.

Apresentamos três casos:

  1. Quando r <1,a energia potencial apresenta um mínimo em x= r h. Neste caso com x=y0-y, h=1 e y0=1.5, teremos que a posição do c.m. no equilíbrio será ye=1.5-r .
     
  2. Quando r >1, a curva da energia potencial não tem mínimo e por tanto, não há posição de equilíbrio estável.
     
  3. No caso limite no qual r =1 a energia potencial para y£ 0.5 é uma linha reta horizontal, e a posição de equilíbrio do c.m. do bloco pode ser qualquer y£ 0.5.
FluidoApplet1 aparecerá en un explorador compatible con JDK 1.1.

 

 

Referências

Reed B. C. Archimedes' law sets a good energy-minimization example. Physics Education, 39 (4) July 2004, pp. 322-323.

Keeports D. How does the potencial energy of a rising helium-filled balloon change?. The Physics Teacher, Vol 40, March 2002, pp. 164-165.

Silva A., Archimedes' law and the potential energy: modelling and simulation with a sreadsheet. Phys. Educ. 33 (2) March 1998. pp. 87-92.

Bierman J, Kincanon E. Reconsidering Archimedes’ principle. The Physics Teacher, Vol 41, Setember 2003, pp. 340-344.