Formulação discreta das equações do movimento de um foguete.

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Dinâmica

ATENÇÃO: Página do Prof: Everton G. de Santana

Nesta página eu apenas traduzi podendo ter introduzido, retirado ou não alguns tópicos, inclusive nas simulações. A página original, que considero muito boa é:

www.sc.ehu.es/sbweb/fisica

Autor: (C) Ángel Franco García

Sistemas de massa
variável (I). 
marca.gif (847 bytes)Modelo discreto de 
 foguete.
Foguete de empuxo
constante
Foguete de duas etapas
Movimento vertical
de um foguete.
Descendo do módulo 
lunar
Foguete "perfeito"
O foguete de Torricelli
 
Velocidade do foguete

Momento linear

Energia

Deslocamento

Do modelo discreto ao contínuo

java.gif (886 bytes)Atividades

Referências

 
Um foguete expulsa uma fração m de seu combustível a intervalos de tempos fixos (por exemplo, cada segundo), com uma velocidade u relativo ao foguete. Este é um problema similar ao de um patinador de massa M em uma pista de gelo que lança repetidamente bolas de massa m com velocidade constante u relativo ao patinador.

Suponha que o foguete está no espaço exterior e por tanto, não atua nenhuma força externa sobre o mesmo. Para calcular a velocidade do foguete a medida que vai expulsando o combustível aplicamos o princípio de conservação do momento linear.

discreto1.gif (3385 bytes)

O foguete tem uma massa M que inclui a carga útil, o combustível e a massa do depósito que o contém. Suponha que o foguete expulsa n frações de combustível de massa m a intervalos fixos de tempo, logo, nos instantes 0, Dt, Dt...(n-1) ·Dt, alcançando a velocidade em v1, v2, ....vn, tal como é mostrada na figura.

discreto5.gif (2317 bytes)

 

Velocidade do foguete

  1. No intervalo (0-Dt)

No instante inicial t=0, expulsa uma fração m de combustível com uma velocidade u relativo ao foguete. O foguete perde uma massa m e adquire uma velocidade v1. Se o foguete estava inicialmente em repouso, seu momento linear é zero. Por tanto, a soma do momento linear do foguete mais o momento linear do combustível expulsado deve dar zero.

discreto2.gif (1722 bytes) (M-m)v1+m(-u)=0

O foguete se moverá com velocidade constante v1 no intervalo de tempo 0-Dt. A fração m do combustível expulso se moverá com velocidade constante –u.

  1. No intervalo (Dt-2Dt)

No instante Dt, o foguete expulsa outra fração m de combustível com velocidade u relativo ao foguete ou v1-u relativo a Terra. O foguete perde outra massa m e adquire uma velocidade v2.

O momento linear inicial do foguete (M-m)v1 é igual ao momento final do foguete mais o da fração m do combustível expulso.

discreto3.gif (1867 bytes) (M-2m)v2+m(v1-u)= (M-m)v1

O foguete se moverá com velocidade constante v2 no intervalo de tempo Dt -2Dt. A fração m do combustível expulso se moverá com velocidade constante v1-u.

  1. No intervalo (2Dt-3Dt)

No instante 2Dt, o foguete expulsa outra fração m de combustível com velocidade u relativo ao foguete ou v2-u relativo a Terra. O foguete perde outra massa m e adquire uma velocidade v3. Aplicando o princípio de conservação do momento linear, explicitamos v3.

discreto4.gif (1912 bytes) (M-3m)v3+m(v2-u)= (M-2m)v2

O foguete se moverá com velocidade constante v3 no intervalo de tempo 2Dt -3Dt. A fração m do combustível expulso se moverá com velocidade constante v2-u.

  1. No intervalo ((n-1)Dt-nDt)

No instante (n-1)Dt, o foguete expulsa a última fração m de combustível com velocidade u relativo ao foguete ou vn-1-u relativo a Terra. O foguete perde outra massa m e adquire uma velocidade vn.

O foguete se moverá com velocidade constante vn a partir do instante t=(n-1)D t. A última fração m do combustível expulsa se moverá com velocidade constante vn-1-u.

 

Momento linear

No intervalo de tempo compreendido entre (i-1Dt -i·Dt o momento linear do foguete é

Pc=(M-i·m)vi

O momento linear do combustível expulso, como podemos comprovar na primeira figura é

Pg=m(-u)+m(v1-u)+m(v2-u)+…m(vi-1-u)

A conservação do momento linear do sistema isolado formado pelo foguete e o combustível que expulsa, exige que ambos momentos sejam iguais e de sentido contrário. Pc+Pg=0.

 

Energia

A energia final do sistema, é a soma da energia cinética do foguete Ec com velocidade final vn, e a energia cinética Eg das frações de massa m de combustível expulsados com velocidade (-u), (v1-u), (v2-u)(vn-1-u), respectivamente.

 

Deslocamento

  • O deslocamento no intervalo de tempo (0-Dt) es x1=v1·Dt
  • O deslocamento no intervalo de tempo (Dt-2Dt), vale x2=v2·Dt
  • O deslocamento no intervalo de tempo (2Dt-3Dt), vale x3=v3·Dt

O deslocamento total no intervalo de tempo (0- Dt) será

 

Do modelo discreto ao contínuo

O passo do modelo discreto ao modelo contínuo, que veremos na página seguinte, implica incrementar o número n de frações de combustível de modo que a massa m de cada fração seja cada vez menor. No limite, quando n tenda a infinito, a massa de cada fração será uma quantidade infinitesimal dm. Vamos comparar as predições do modelo discreto frente as do modelo contínuo.

A massa inicial M é a soma da carga útil, mais o combustível e mais a massa do recipiente que será proporcional a massa do combustível que contém

massa inicial  M  =carga útil+(1+r) ·combustível.

onde r é da ordem de 5% ou 0.05.

Tomaremos o intervalo de tempo Dt =1 s. De modo que, a primeira fração de combustível é expulsa no instante t=0, a segunda no instante t=1 s., a terceira no instante t=2 s, e assim sucessivamente. O combustível acaba no instante t=(n-1) s.

Exemplo 1:

  • Combustível no foguete, 9000 kg
  • Carga útil que transporta, 800 kg.
  • Número de frações, 3.

A massa inicial do foguete é (carga útil+combustível+massa do depósito)

M=800+1.05·9000=10250 kg.

A massa de cada fração de combustível é m=9000/3=3000 kg, e é expulsa nos instantes t=0, t=1, e t=2 s.

A velocidade com a qual é expulsa cada uma das frações é u=2000 m/s constante relativo ao foguete, e está fixada no programa interativo.

Modelo discreto

As velocidades do foguete nos intervalos de tempo que indicados são

Intervalo (s) Massa do foguete (kg) Velocidade foguete (m/s) Velocidade do combustível (m/s)
0-1 10250-3000 827.6 -2000
1-2 10250-2·3000 2239.3 827.6-2000
2-3 10250-3·3000 7039.3 2239.3-2000
  1. Deslocamento do foguete no intervalo de (0- 3) s é a área sob a curva em degrau.

x=827.6·1+2239.3·1+7039.3·1=10106.3 m.

  1. Momento linear final do foguete:

Pc=(10250-3·3000)·7039.3=8799188.6 kg·m/s

Momento linear final dos gases expulsos:

Pg=3000·(-2000)+3000·(827.6-2000)+3000·(2239.3-2000)=-8799188.6 kg·m/s.

  1. Energia do foguete:

Ec=(10250-3·3000)·7039.32/2=3.097·1010 J

Energia dos gases expulsos:

Eg=3000·(-2000)2/2+3000·(827.6-2000)2/2+3000·(2239.3-2000)2/2=8.148·109 J

A energia total necessária para que o foguete alcance a velocidade final de 7039.3 m/s é a soma das duas contribuições.

E= Ec+ Eg=3.912·1010 J

Modelo continuo.

Na formulação contínua, são queimados 3000 kg de combustível a cada segundo, D=3000 kg/s, resultando

  • Velocidade final de v=4208 m/s
  • Deslocamento no intervalo de tempo (0-3)s é, x=4246 m.

Como vemos existe uma grande diferença entre as predições de ambos os modelos

 

Exemplo 2:

  • Combustível no foguete 9000 kg
  • Carga útil que transporta 800 kg.
  • Número de frações 9.

A massa inicial do foguete é (carga útil+combustível+massa do depósito)

M=800+1.05·9000=10250 kg.

A massa de cada fração de combustível é m=9000/9=1000 kg, e são expulsas nos instantes t=0, t=1, ... t=8 s.

A velocidade de expulsão de cada uma das frações é de u=2000 m/s relativo ao foguete, e está fixada no programa interativo.

Modelo discreto

As velocidades do foguete nos intervalos de tempo que são indicados são

Intervalo (s) Massa do foguete (kg) Velocidade do foguete (m/s) Velocidade do combustível (m/s)
0-1 9250 216.2 -2000
1-2 8250 458.6 216.2-2000
2-3 7250 734.5 458.6-2000
3-4 6250 1054.5 734.5-2000
4-5 5250 1435.5 1054.5-2000
5-6 4250 1906.0 1435.5-2000
6-7 3250 2521.4 1906.0-2000
7-8 2250 3410.3 2521.4-2000
8-9 1250 5010.3 3410.3-2000
  1. O deslocamento total do foguete no intervalo (0-9) s é x=16747.4 m
  1. O momento linear final do foguete é Pc=6262895.8 kg·m/s

O momento linear final do combustível expulso é Pg=-6262895.8 kg·m/s

  1. A energia cinética do foguete é Ec=1.57·1010 J

A energia cinética do combustível expulso é Eg=7.32 109 J.

A energia total é E= Ec+ Eg=2.30·1010 J.

Modelo continuo

Na formulação continua, são queimados 1000 kg de combustível cada segundo, D=1000 kg/s, resultando

  • Velocidade final de v=4208 m/s.
  • Deslocamento no intervalo de tempo (0-9) s é, x=12740 m.

Os resultados do modelo discreto vão se aproximando aos do modelo continuo.

Fixamos no modelo continuo, a velocidade final do foguete é independente da D, quantidade de combustível queimado na unidade de tempo.

 

Atividades

Introduza

  • O combustível c, no controle de edição titulado Combustível no foguete
  • A carga útil que transporta, no controle de edição titulado Carga útil que transporta
  • O número n de fração de combustível de massa m=c/n, que é expulsa a intervalos regulares de tempo, no controle de edição titulado Número de frações
  • A velocidade de expulsão de cada uma das frações foi fixado em u=2000 m/s relativo ao foguete,

Clique no botão titulado Começar

Na parte inferior da simulação, vemos o movimento do foguete, em cor azul, e o movimento das frações de combustível expulsos (em cor vermelho).

Na parte superior esquerda, temos um conjunto de três barras:

  • A primeira, mostra quanto por cento de combustível (em cor azul) foi gasto.
     
  • A segunda representa, o momento linear do foguete (azul) e o momento linear dos gases expulsos (em vermelho), ambos momentos são iguais e de sentido contrário, de modo que o momento linear total é zero.
     
  • A terceira barra, representa a energia: o comprimento total da barra é a energia total disponível, a parte azul corresponde a energia cinética do foguete, e a parte vermelha, a energia cinética das frações de combustível expulsos.

Finalmente, temos a representação da velocidade do foguete em função do tempo. Em cor vermelha a curva continua descreve o perfil da velocidade do foguete calculada seguindo o modelo continuo. Em cor azul, temos uma curva em degrau que representa o perfil da velocidade do foguete calculada seguindo o modelo discreto descrito nesta página.

Provar com diversos valores do número de frações, por exemplo n=3 e comparar com n=9. Veremos como a medida que é incrementado n as predições do modelo discreto se aproximam com as do modelo continuo.

 

Referências

Bose S. K.. The rocket problem revisited. Am. J. Phys. 51 (5) 1983, pp. 463-464.