Movimento curvilíneo. Grandezas cinemáticas

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Cinemática

ATENÇÃO: Página do Prof: Everton G. de Santana

Nesta página eu apenas traduzi podendo ter introduzido, retirado ou não alguns tópicos, inclusive nas simulações. A página original, que considero muito boa é:

www.sc.ehu.es/sbweb/fisica

Autor: (C) Ángel Franco García

Movimento curvilíneo
marca.gif (847 bytes)Grandezas cinemáticas
Tiro parabólico
Composição de
movimentos
Apontar um canhão para
acertar um alvo fixo
Bombardear um bloco
móvel de um avião
Tiros frontais 
a cesta
Alcance máximo no
plano horizontal
Alcance máximo no
plano inclinado
Outros máximos
Disparo de um projétil
contra um alvo móvel
Barro que se desprende
de uma roda
Tiro parabólico e
movimento circular
Torpedo a caça de
um submarino
Movimento curvilíneo

Componentes tangencial e normal da aceleração

 

Movimento curvilíneo

Suponhamos que o movimento tem lugar no plano XY, situamos uma origem, os eixos x e y traçamos a trajetória do móvel, ou seja, marcamos o conjunto de pontos pelos quais passa o móvel. As grandezas que descrevem um movimento curvilíneo são:

Vetor posição r no instante t.

Cine_10.gif (2821 bytes) Como a posição do móvel varia com o tempo. No instante t, o móvel se encontra no ponto P, ou em outras palavras, seu vetor posição é r e no instante t' se encontra no ponto P', sua posição é dada pelo vetor r'.

Diremos que o móvel se deslocou Dr=r’-r no intervalo de tempo Dt=t'-t. Este vetor tem a direção da secante que une os pontos P e P'.

Vetor velocidade

O vetor velocidade média, é definido como o cociente entre o vetor deslocamento Dr e o tempo que foi empregado para deslocar-se Dt.

O vetor velocidade média tem a mesma direção que o vetor deslocamento, a secante que une os pontos P e P1 quando é calculada a velocidade média <v1> entre os instantes t e t1.

Cine_12.gif (2647 bytes) O vetor velocidade num instante, é o limite do vetor velocidade média quando o intervalo de tempo tende a zero.

Como podemos ver na figura, a medida que fazemos tender o intervalo de tempo a zero, a direção do vetor velocidade média, a reta secante que une sucessivamente os pontos P, com os pontos P1, P2....., tende para a tangente a trajetória no ponto P.

No instante t, o móvel se encontra em P e tem uma velocidade v cuja direção é tangente a trajetória neste ponto.

Vetor aceleração

Cine_13.gif (3324 bytes) No instante t o móvel se encontra em P e tem uma velocidade v cuja direção é tangente a trajetória neste ponto.

No instante t' o móvel se encontra no ponto P' e tem uma velocidade v'.

O móvel variou, em geral, sua velocidade tanto em módulo como em direção, uma quantidade dada pelo vetor diferença Dv=v’-v.

Definimos a aceleração média como o cociente entre o vetor variação de velocidade Dv e o intervalo de tempo Dt=t'-t, gasto nesta variação.

A aceleração a em um instante

Resumindo, as equações do movimento curvilíneo no plano XY são

A primeira fila corresponde, as equações de um movimento retilíneo ao longo do eixo X, a segunda fila corresponde, as equações de um movimento retilíneo ao longo do eixo Y, e o mesmo podemos dizer a respeito do eixo Z.

Por tanto, podemos considerar um movimento curvilíneo como a composição de movimentos retilíneos ao longo dos eixos coordenados.

Exemplo 1:

Um automóvel descreve uma curva plana tal que as coordenadas retangulares, em função do tempo são dadas pelas expressões: x=2t3-3t2, y=t2-2t+1 m. Calcular:

  • As componentes da velocidade em qualquer instante.

vx=6t2-6t  m/s
vy=2t-2 m/s

  • As componentes da aceleração em qualquer instante.

ax=12t m/s2
ay
=2 m/s2

Exemplo 2:

Um ponto se move no plano de tal forma que as componentes retangulares da velocidade em função do tempo são dadas pelas expressões: vx=4t3+4t, vy=4t m/s. Se no instante inicial t0=0 s, o móvel se encontrava na posição x0=1, y0=2 m. Calcular:

  • As componentes da aceleração em qualquer instante

·        As coordenadas x e y, do móvel, em função do tempo.

Dada a velocidade vx=4t3+4t do móvel, o deslocamento x-1 entre os instantes 0 e t é calculado mediante a integral

x=t4+2t2+1 m

Dada a velocidade vy=4t do móvel, o deslocamento y-2 entre os instantes 0 e t é calculado mediante a integral

y=2t2+2 m

Exemplo 3:

Lançamos uma bola verticalmente para cima com uma velocidade de 20 m/s desde o teto de um edifício de 50 m de altura. A bola é empurrada pelo vento que sopra para direita, produzindo um movimento horizontal com uma aceleração de 2 m/s2. Calcular:

  • A distância horizontal entre o ponto de lançamento e o de impacto

  • A altura máxima

  • Os instantes e os valores das componentes da velocidade quando a bola se encontra a 60 m de altura sobre o solo.

  1.  Primeiro, estabelecemos a origem no ponto de lançamento e os eixos X e Y apontando para direita e para cima respectivamente.

  2. Determinamos os sinais das velocidades iniciais v0x=0 e v0y=20 e da aceleração ay=-10.

  3. Escrevemos as equações do movimento

  • Movimento uniformemente acelerado ao longo do eixo X

ax=2   
vx=
2t
x=
2t2/2

  • Movimento uniformemente acelerado ao longo do eixo Y (movimento de queda dos corpos)

ay=-10
vy=
20+(-10)t
y=
20t+(-10)t2/2

  1. O ponto de impacto tem coordenadas x desconhecida e y=-50 m. Dado y obtemos o valor de t e logo o valor de x.

y=-50 m
t
=1.74 s
x
=3.03 m

  1. A altura máxima é obtida quando a velocidade vertical é zero

vy=0 m/s
t=
2 s
y
=20 m

A altura desde o solo é 20+50=70 m.

  1. O móvel se encontra em dois instantes a 60 m de altura sobre o solo (10 sobre origem), já que sua trajetória corta em dois pontos a reta horizontal y=10 m.A equação de segundo grau tem duas raízes

10=20t+(-10)t2/2
t1=0.59 s e t2=3.41 s.

 

Componentes tangencial e normal da aceleração

As componentes retangulares da aceleração não tem significado físico, porém se temos as componentes da aceleração em um novo sistema de referência formado pela tangente a trajetória e a normal a mesma.

Calcular as componentes tangencial e normal da aceleração em um determinado instante é um simples problema de geometria, tal como se vê na figura.

  • Traçamos os eixos horizontal X e vertical Y.
  • Calculamos as componentes retangulares da velocidade e da aceleração neste instante. Representamos os vetores velocidade e aceleração neste sistema de referência.
  • traçamos os novos eixos, a direção tangencial é a mesma que a direção da velocidade, a direção normal é perpendicular a direção tangencial.
  • Com a régua e o esquadro projetamos o vetor aceleração sobre a direção tangencial e sobre a direção normal.
  • Determinamos o ângulo q entre o vetor velocidade e o vetor aceleração, e calculamos o valor numérico destas componentes: at=a cosq  an=a senq

Exemplo:

O vetor velocidade do movimento de uma partícula é dado por v=(3t-2)i+(6t2-5)j m/s. Calcular as componentes tangencial e normal da aceleração no instante t=2 s. Decompor o vetor velocidade, e o vetor aceleração nas componentes tangencial e normal neste instante.

  1. Dadas as componentes da velocidade obtemos as componentes da aceleração

vx =3t-2 m/s,   ax=3 m/s2
vy=6t2-5 m/s,  ay=12t m/s2

  1. Os valores destas componentes no instante t=2 s são

vx =4 m/s,   ax=3 m/s2
vy=19 m/s,  ay=24 m/s2

  1. Decompomos o vetor velocidade e o vetor aceleração

  1. Calculamos o ângulo q  que formam o vetor velocidade e o vetor aceleração
  • Pelo produto escalar: v·a=v·a·cosq
  • Calculando o ângulo que forma cada vetor com o eixo X, e subtraindo ambos ângulos
  1. Calculamos as componentes tangencial e normal da aceleração

at=a·cosq =24.1 m/s2
an=a·senq=2.0 m/s2

Podemos calcular a aceleração tangencial em qualquer instante, a partir do produto escalar do vetor aceleração a e o vetor velocidade v.

v·a=va·cosθ=v·at

A aceleração normal, é obtida a partir do módulo da aceleração a e da aceleração tangencial at

Raio de curvatura

A figura, mostra o raio de curvatura e o centro de curvatura de uma trajetória qualquer no instante t. Decompomos a direção do vetor velocidade v no instante t, a direção do vetor velocidade v+dv no instante t+dt. Traçamos retas perpendiculares a ambas direções, que se encontram no ponto C denominado centro de curvatura. A distância entre a posição do móvel no instante t, e o centro de curvatura C é o raio de curvatura ρ.

No intervalo de tempo compreendido entre t e t+dt, a direção do vetor velocidade varia de um ângulo . que é o ângulo entre as tangentes ou entre as normais. O móvel se desloca neste intervalo de tempo um arco ds=ρ·dθ,  tal como podemos ver na figura.

Outra forma de obter as componentes tangencial e normal da aceleração, é a de escrever o vetor velocidade v como produto de seu módulo v por um vetor unitário que tenha sua direção e sentido ut=v/v. A derivada de um produto é composta da soma de dois termos

O primeiro termo, tem a direção da velocidade ou seja do vetor unitário ut, é a componente tangencial da aceleração

O segundo termo, vamos demonstrar que tem a direção normal un. Como vemos na figura as componentes do vetor unitário ut são

ut=cosθ·i+senθ·j

Sua derivada é

O vetor aceleração é

As componentes tangencial e normal da aceleração valem, respectivamente

Esta última fórmula, obtivemos de uma forma mais simples para uma partícula que descrevia um movimento circular uniforme.

Como a velocidade é um vetor, e um vetor tem módulo e direção, existirá aceleração sempre que varie com o tempo o módulo da velocidade, a direção da velocidade ou ambas as coisas de uma vez.

  • Se somente varia o módulo da velocidade com o tempo, como em um movimento retilíneo, temos unicamente aceleração tangencial.
  • Se somente varia a direção da velocidade com o tempo, porém seu módulo permanece constante como em um movimento circular uniforme, temos unicamente aceleração normal.
  • Se variamos o módulo e a direção da velocidade com o tempo, como em um tiro parabólico, temos aceleração tangencial e aceleração normal..