Trajetória de um projétil disparado de uma altura h acima da superfície da Terra.

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Dinâmica celeste

ATENÇÃO: Página do Prof: Everton G. de Santana

Nesta página eu apenas traduzi podendo ter introduzido, retirado ou não alguns tópicos, inclusive nas simulações. A página original, que considero muito boa é:

www.sc.ehu.es/sbweb/fisica

Autor: (C) Ángel Franco García

Leis de Kepler
O descobrimento da
lei da gravitação
Força central e
conservativa
Equação da trajetória
Solução numérica das
equações
Órbita de transferência
Encontros espaciais
Trajetória espiral
Encontro de uma sonda
espacial com Júpiter
Órbitas de mesma
energia
Trajetória de um 
projétil (I)
marca.gif (847 bytes)Trajetória de um 
  projétil (II)
Movimento relativo
Queda de um satélite em
órbita até a Terra.
Os anéis de um planeta
Movimento sob uma
força central e uma
perturbação
O problema de Euler
Viagem a Lua
Equação da trajetória

O ângulo de disparo é φ=0

O ângulo de disparo é φ=180

O ângulo de disparo é φ=90

O ângulo de disparo é φ<90

O ângulo de disparo é φ>90

Atividades

 

No capítulo de Cinemática estudamos o movimento dos projéteis que descrevem trajetórias parabólicas no plano horizontal local, supondo que a aceleração da gravidade é constante.

Na página titulada “O descobrimento da Lei da Gravitação Universal”, observamos que um projétil disparado de uma certa altura descreve uma trajetória elíptica em um dos focos está o centro da Terra. As trajetórias parabólicas são aproximações de trajetórias elípticas, quando o alcance e a altura máxima do projétil são muito pequenos em comparação com o raio da Terra.

Supomos também que a Terra não gira sobre seu eixo. O efeito da rotação da Terra será descrito na página titulada “Desvio para o leste de um corpo que cai”.

Nesta página, vamos determinar a trajetória que segue o projétil que é disparado de uma altura h, com velocidade inicial v0 fazendo um ângulo φ com a direção radial.

Ao longo desta página, necessitaremos dos seguintes dados:

  • O raio da Terra R=6.37·106 m

  • A massa da Terra M=5.98·1024 kg

  • A constante G=6.67·10-11 Nm2/kg2

 

Equação da trajetória

É disparado um projétil de massa m de uma distância r0=R+h do centro da Terra, com velocidade v0 fazendo um ângulo φ com o raio vetor. O momento angular e a energia do projétil são, respectivamente

A equação da trajetória em coordenadas polares é

Se a energia do projétil é negativa E<0 sua trajetória é uma elipse, sua excentricidade ε<1.

Conhecido d e ε,  é calculado o semi-eixo maior a, que é a média aritmética dos raios mínimo (θ=0)  e máximo (θ=π) da elipse.

A semi-distância focal, c=ε·a

O semi-eixo menor b da elipse

Velocidade do projétil no ponto de impacto

Como a energia é constante em todos os pontos da trajetória, a velocidade v com a qual impacta o projétil na superfície da Terra é independente da massa m do projétil e do ângulo de disparo, é obtida colocando r=R (raio da Terra) na equação da energia, e explicitando a incógnita v

Tempo de vôo

Para calcular o tempo de vôo, vamos utilizar o mesmo procedimento que empregamos para deduzir a fórmula do período de um planeta, a partir da lei das áreas. O momento angular em coordenadas polares é escrito

Integrando

O primeiro membro, é a área varrida pelo raio vetor quando se move da posição angular θ, a posição θ=π. Explicitando t obtemos.

Vamos agora estudar os distintos casos que podem ocorrer

 

O ângulo de disparo é φ=0º.

O momento angular L=0, pelo qual a trajetória é uma linha reta que passa pelo centro de forças. O projétil sobe e logo cai para a Terra ao longo da direção radial.

A máxima altura que alcança, é calculada colocando v=0 na equação da energia e explicitando a incógnita r.

Não podemos calcular de forma simples o tempo que gasta o projétil para impactar sobre a superfície da Terra já que a aceleração não é constante.

Exemplo

Lançamos um projétil da altura h=6000 km com velocidade inicial v0= 4500 m/s na direção radial r0=6.0·106+6.37·106 m

  • A altura máxima que alcança o projétil é h=18.03·106 -6.37·106=11.66·106 m

  • A velocidade com a qual chega a superfície da Terra é v=8999.6 m/s

 

O ângulo de disparo é φ=180º.  

O momento angular L=0, pelo qual a trajetória é uma linha reta que passa pelo centro de forças. O projétil desce ao longo da direção radial até que chega a superfície da Terra com a mesma velocidade que foi calculada no tópico anterior.

Exemplo

Lançamos um projétil da posição r0=6.0·106+6.37·106 m com velocidade inicial v0= 4500 m/s na direção radial e sentido para o centro da Terra

  • A velocidade com a qual colide com a superfície da Terra é v=8999.6 m/s

 

O ângulo de disparo é φ=90º.

Alcance máximo

O alcance máximo é produzido quando o perigeu é R, e o apogeu é r0=h+R.

Como o momento angular e a energia são constantes em todos os pontos da trajetória e em particular, no perigeu e no apogeu, temos que

Os dados são r0 e R e as incógnitas v e v0.  A velocidade de disparo é

Exemplo: Seja h=6000 km ou então, a distância ao longo da direção radial é r0=12.37·106 m

Calculamos a velocidade de disparo, v0=4681.969 m/s

O semi-eixo maior da elipse é a=(R+r0)/2=14.37·106 m

O tempo de vôo é a metade do período

t=P/2=4512 s

Posição do ponto de impacto

Como vemos na figura, o projétil sai da posição θ=π, e impacta na posição θ=π-α quando r=R.

Colocando r=R na equação da trajetória, explicitamos o ângulo θ.

Exemplo:

Continuando com os mesmos dados dos casos anteriores:

  •  Distância radial do disparo r0=12.37·106 m

  • Velocidade inicial v0= 4500 m/s

  • Ângulo de disparo φ=90º.

Obtemos os valores do momento angular e da energia do projétil

L=5.57·1010 m kgm2/s
E
=-22.12·106 m J

Conhecida a energia e o momento angular, é determinada a equação da trajetória, o valor do parâmetro d e a excentricidade ε

ε=0.372
d
=7.77·106 m

Com estes dados, colocando r=6.37·106 m na equação da trajetória obtemos o ângulo θ=0.934 rad.

A distância angular entre o ponto de impacto e a posição de disparo é

α=π-0.934=2.20 rad

Denomina-se alcance ao comprimento do arco s de circunferência da Terra que corresponde a esta distância angular, s=R·α=14.03·106 m

Tempo de vôo

A área sombreada é a área varrida pelo raio vetor entre as posições angulares θ e π. Em outras palavras, é a porção da elipse compreendida entre x e a menos a área do triângulo de base R·cosθ e altura R·senθ, sendo x=-c-R·cosθ

Sabendo que a equação da elipse é

 

onde a é o semi-eixo maior da elipse, b o semi-eixo menor, e c a semi-distância focal.

A área da porção de elipse compreendida entre x e a é

Para integrar, fazemos a mudança de variável x=a·sen z. Os novos limites de integração são:

  • quando x=a, z2=π/2,
  • quando -R·cosθ-c=a·sen z1

A área sombreada vale, por tanto

Para calcular a área necessitamos dos seguintes dados

  • a=9.82·106 m

  • c=3.35·106 m

  • b=8.37·106 m

Continuando, obtemos z1 que é a função do ângulo θ=0.934 rad da posição de impacto. Depois de fazer algumas operações com a calculadora obtemos o valor da área varrida pelo raio vetor A=1.022·1014.

Finalmente, o tempo de vôo t é

O ângulo de disparo é φ<90º

Trajetória

Suponhamos que o ângulo de disparo é φ distinto de 0º, 90º, ó 180º.

Como vemos na figura, a trajetória que segue o projétil é uma elipse, porém que está girada de um ângulo β. Este ângulo é calculado colocando r=r0 na equação da trajetória e explicitando o ângulo θ

Continuando com os dados dos casos anteriores

  • Distância radial de disparo r0=12.37·106 m

  • Velocidade inicial v0= 4500 m/s

  • Ângulo de disparo φ=30º.

A energia do projétil não muda, porém varia o momento angular

L=2.78·1010 m kgm2/s
E
=-22.12·106 m J

Conhecida a energia e o momento angular são determinados a equação da trajetória, o valor do parâmetro d e a excentricidade ε

ε=0.886
d
=1.94·106 m

Com estes dados calculamos o ângulo girado pelo eixo maior da elipse β=2.83 rad.

Posição do ponto de impacto

Como vemos na figura, calculamos o ângulo de impacto colocando na equação da elipse r=R, o que nos da o ângulo θ mostrado na figura, do mesmo modo que no caso anterior

Relacionamos os ângulos θ, α e β. para calcular a distância angular α entre o ponto de impacto e a posição de disparo.

α=2π-θ-β

Exemplo:

com os dados anteriores θ=2.47, e β=2.83 rad, a distância angular α=0.981 rad (56.2º)

Tempo de vôo

O tempo de vôo é proporcional a soma das áreas sombreadas da elipse

As áreas são calculadas como no caso anterior. Em primeiro lugar, necessitamos dos valores dos parâmetros da elipse:

  • semi-eixo maior a=9.02·106 m

  • semi-distância focal c=7.99·106 m

  • semi-eixo menor b=4.18·106 m

Calculamos a área da porção da elipse acima do eixo maior, que é a área varrida pelo raio vetor desde a posição angular θ=2.47  hasta θ=π. Necessitamos conhecer previamente, z1, que é por sua vez função do ângulo θ da posição de impacto.

-R·cosθ-c=a·sen z1

O resultado é A1=5.1786·1013

Calculamos a área abaixo do eixo maior varrida pelo raio vetor desde a posição angular β=2.83 rad  até β =π.

Necessitamos conhecer previamente, z1, que é por sua vez função do ângulo β=2.83 rad que substitui o ângulo θ na fórmula da área e r0 substitui a R

-r0·cosβ-c=a·sen z1

O resultado é A2=3.6620·1013

O tempo de vôo é

 

O ângulo de disparo é φ>90º.

Trajetória

Os projéteis disparados com ângulos φ e 180-φ tem a mesma energia e o mesmo momento angular, a trajetória é uma elipse com os mesmos valores do parâmetro d, e da excentricidade ε, porém sua orientação é distinta.

Se o ângulo de disparo é 150º, a energia e o momento angular são os mesmos que quando se dispara o projétil com 30º

ε=0.886
d
=1.94·106 m

 

 

Como vemos na figura, a trajetória que segue o projétil é uma elipse, porém que está girada de um ângulo β. Este ângulo é calculado colocando r=r0 na equação da trajetória

Com estes dados calculamos o ângulo β=2.83 rad (cor vermelha) que gira o eixo maior da elipse que é a solução que tomamos no caso anterior, porém também é solução o ângulo β=-2.83=3.45 rad.(cor azul)

Posição do ponto de impacto

No tópico anterior, calculamos o ângulo de impacto colocando na equação da elipse r=R, o que nos dava o ângulo θ=2.47 rad

Relacionamos os ângulos θ, α y β. para calcular o ângulo de impacto α.

α+θ+β-π =π   ou então,

α=2π-β-θ=0.36 rad (20.4º)

que é a mesma relação que obtivemos no caso anterior.

Tempo de vôo

A área varrida pelo raio vetor desde a posição inicial de saída a de impacto é a diferença de duas áreas

  • A área A1 varrida pelo raio vetor desde a posição θ=2.47 a posição θ

  • A área A2 varrida pelo raio vetor desde a posição angular 2π-β =2.83 a posição π.

Estas duas áreas coincidem com as áreas A1 e A2 calculadas no caso anterior

O tempo de vôo é

 

Atividades

Introduza

  • A altura h em km de onde é disparado o projétil, no controle de edição titulado Altura.  A posição inicial do projétil é r0=h·1000+6.37·106 m

  • A velocidade de disparo v0 em m/s, no controle de edição titulado Velocidade

  • O ângulo de disparo, medido desde a direção radial, atuando sobre o dedo da barra de deslocamento titulada Ângulo

Clique no botão titulado Começar

São excluídos os ângulos 0, e 180º já que sua análise é mais simples e dão lugar, a erros na rotina principal de cálculo.

Observe o movimento do projétil, e são proporcionados os dados da distância angular entre o ponto de impacto sobre a superfície da Terra e o lugar do lançamento, assim como o tempo de vôo gasto pelo projétil.

Se a velocidade é grande, pode ocorrer que o projétil seja colocado em órbita ao redor da Terra.

Como exercícios é sugerido,

  • Resolver utilizando a calculadora algum exemplo concreto, tal como foi feito nesta página, e comprovar os resultados com os proporcionados pelo programa interativo

  • Fixando a velocidade de disparo, variamos o ângulo de tiro, e buscamos o ângulo para o qual o alcance é máximo

  • Fixada a altura de disparo, buscamos a velocidade que faz com que o projétil descreva uma órbita circular ao redor da Terra.