Dinâmica celeste |
ATENÇÃO: Página do Prof: Everton G. de Santana
Nesta página eu apenas traduzi podendo ter introduzido, retirado ou não alguns tópicos, inclusive nas simulações. A página original, que considero muito boa é:
Autor: (C) Ángel Franco García
O Sistema Solar Medida da velocidade da luz. A lua Máquina de Atwood Período de um pêndulo Pêndulo acionado por forças de marés
Aceleração da gravidade Viagem pelo interior da Terra Modelo do interior da Terra Desvio para o leste de um corpo que cai (I) Desvio para o leste de um corpo que cai (II) Choque de um meteorito com a Terra Medida de G A forma da Terra |
Componentes da força de marés. |
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| Nesta página, é explicada a origem das marés. Veremos que os fundamentos físicos são simples porém a análise quantitativa é bastante complexa. Nesta página, não são explicados os efeitos dinâmicos que sobre o oceano tem uma força que varia com o tempo. Somente, são explicados a origem e as propriedades das forças de marés. O problema que vamos resolver, é o de encontrar a forma que adota a superfície livre de uma camada de água que cobre toda a Terra, quando consideramos as forças de atração que exerce o Sol e a Lua
A origem das forças de marésA origem das forças de marés se deve a que a Terra é um corpo extenso e o campo gravitacional produzido pela Lua ou pelo Sol não é homogêneo em todos seus pontos, já que tem uns pontos que estão mais próximos e outros mais distantes destes corpos celestes. Suponhamos que a Terra é um corpo rígido de forma esférica de raio R, que está coberta por uma camada de água de espessura uniforme e de pequena profundidade. O corpo perturbador, a Lua ou Sol supomos que está no plano equatorial da Terra Embora o Sol e a Lua se movam, consideramos que a água está em todo momento em equilíbrio, a velocidade e a aceleração de qualquer elemento de líquido relativo a Terra supomos desprezível. Suponhamos inicialmente, que o corpo perturbador é a Lua, as mesmas fórmulas serão aplicáveis para o Sol. Finalmente, analisaremos o efeito combinado da Lua e do Sol. Consideremos a Terra e a Lua imóveis no espaço estando seus centros separados de uma distância r. A força de marés, em uma determinada posição P da superfície da Terra, é igual a diferença entre a força de atração que a Lua exerce sobre um objeto situado nesta posição, e a força de atração que exerceria sobre tal objeto se estivesse no centro da Terra.
Desenhamos as forças de atração que exerce a Lua (em cor vermelha) sobre um objeto de massa m situado nos pontos A, B e C, e a força que exerceria (em cor azul) sobre este objeto se estivesse situado no centro T da Terra. A direita, são desenhadas as forças de marés (diferença entre os vetores vermelho e azul) nos pontos A, B e C. No centro da Terra T, a força de atração está dirigida para o centro da Lua
Como apreciamos na figura, somente temos que calcular as forças de marés na metade da Terra acima do eixo que une o centro da Terra e o centro da Lua. Os pontos da Terra simétricos, abaixo deste eixo, tem forças de marés iguais e de sentido contrário.
Componentes da força de marés.Para calcular a componente radial da força de maré, fazemos o produto escalar fP·R=fR·R, onde fR é a componente radial da força de maré
A componente tangencial ft é calculada mediante o módulo do produto vetorial |fPxR|=ft·R
Dados
A força de atração que exerce Terra sobre um objeto de massa m situado em sua superfície é
O Sol está muito distante da Terra, porém tem uma massa enorme. A Lua está próxima a Terra porém sua massa é relativamente pequena. A força de atração que exerce o Sol sobre o c.m. da Terra é maior que a força que exerce a Lua sobre o c.m. da Terra.
O quociente é FS/FL=1.78 Estimados o valor máximo das forças de marés em A ou B (θ=0), veja a primeira figura
O quociente entre estas duas forças é fL/fS=2.195 Estes números nos indicam que, as forças de marés são muito pequenas comparadas com a força de atração da Terra 9.83·m sobre um objeto de massa m situado em sua superfície, porém seus efeitos são notáveis. A força de atração do Sol sobre o c.m. da Terra é maior que a força de atração da Lua, a pesar de que esta está muito próxima a Terra. Sem engano, a força de marés produzida pelo Sol é menor que a produzida pela Lua.
Elevação da camada de águaO passo seguinte, cuja demonstração é omitida, por razões de dificuldade matemática, porém pode ser consultada no primeiro artígo citado nas referências, é o cálculo da energia potencial correspondente a força de marés fP. A forma S0 da superfície devido a força de atração da Terra e a sua rotação é a de um esferóide de revolução ao redor do eixo polar. A força centrípeta, devida a rotação da Terra ao redor de seu eixo, que é uma força independente do tempo, não acrescenta nada as forças de marés.
Tendo em conta, que o volume de água que cobre a Terra permanece constante, determinamos a elevação h do ponto P da superfície S0 devida exclusivamente as forças de atração do corpo perturbador.
onde M é a massa do corpo perturbador, MT=5.98·1024 kg é a massa da Terra, R seu raio, r a distância entre o centro da Terra e o centro do corpo perturbador. Esta é a expressão que empregaremos nos programas interativos ao final desta página, onde foi suposto que o corpo perturbador está em repouso no plano equatorial da Terra a uma distância r de seu centro. A máxima elevação corresponde ao ângulo θ=0º o θ=π, quando o corpo perturbador está na frente ou atrás, (pontos A e B da primeira figura) onde são máximas as forças de marés. A mínima elevação corresponde ao ângulo θ=π/2, (ponto C da primeira figura). A máxima elevação é o dobro em valor absoluto, da mínima elevação. De modo que, a diferença entre altura máxima da maré baixa e a maré alta é
Com os dados proporcionados no tópico anterior. Para as marés produzidas pela Lua
Para as marés produzidas pelo Sol
Rotação da TerraAgora então, esta não é a situação real. A Terra se move relativo a seu eixo com um período de 24 h 22 min. O ângulo θ varia com o tempo da forma θ=ω·t, onde ω é a velocidade angular de rotação. A elevação em função da latitude Consideremos agora, a Terra de forma esférica, determinemos o ângulo θ em termos da latitude λ.
Suponhamos que no instante t=0, o ponto P sobre a superfície da Terra a uma latitude λ, e o corpo perturbador M estão no plano XZ. Ao cabo de um certo tempo t, devido a rotação da Terra, o ponto P será deslocado para a posição P’. O ângulo θ, formado a reta que une o centro da Terra com o ponto P, e o centro da Terra com o centro do corpo perturbador ou então, pelo vetor R e o vetor r podemos calcular por meio do produto escalar. r=ri O produto escalar vale r·R=R·rcosθ=R·rcosλcos(ωt) cosθ=cosλ·cos(ωt) A elevação em função da latitude e o ângulo de declinação Se o corpo perturbador não está no plano equatorial, e sim que forma um ângulo δ, de declinação com este plano.
O vetor r é escrito agora r=rcosδ·i+rsenδ·k O produto escalar vale r·R=R·rcosθ=R·rcosλ cos(ωt) cosδ+ Rrsenλ rsenδ cosθ=cosλ cos(ωt) cosδ+senλ rsenδ Finalmente, se P não parte do plano XZ (meridiano de Greenwich) e sim de um meridiano inicial φ. A fórmula é convertida em cosθ=cosλ cos(ωt+φ) cosδ+senλ rsenδ Introduzindo cosθ na expressão da elevação da água, e tendo em conta as identidades trigonométricas cos2β=2cos2β-1,sen2β+cos2β=1, sen2β =2senβcosβ, chegamos ao seguinte resultado.
Marés produzidas pelo Sol e a LuaQuando consideramos os efeitos combinado da Lua e do Sol, a elevação da maré é obtida somando as elevações devidas cada uma delas.
A máxima diferença de nível entre a maré baixa e alta é de 53.4+24.4=77.8 cm. Quando os dois corpos celestes estão em conjunção alinhados com a Terra é produzidas a máxima elevação, e quando estão em quadratura é produzida a mínima elevação.
Oscilações forçadasA descrição das marés que foram feitas nos tópicos anteriores corresponde ao efeito da Lua e do Sol sobre uma camada de água de espessura uniforme que cobre a Terra por completo. A Terra está coberta de água em seus três quartos partes, e sua distribuição não é uniforme, tanto em profundidade como em extensão. Temos grandes oceanos, marés fechadas como o Mediterrâneo, lagos, bacias, etc. A diferença de nível entre a maré baixa e a alta muda de um lugar a outro, assim no mar Mediterrâneo é muito pequena, e em certas bacias como a de Fundy no Canadá é muito grande Ressonância temos observado, que um ponto da superfície líquida da Terra está submetido a uma fuerza oscilante, cujo período é de 12 horas aproximadamente, e cuja amplitude é variável. Uma bahía é uma cavidade com determinados modos de oscilação, que dependem de sua forma, extensão e profundidade de suas águas. Em certos lugares como Mont St Michel na Bretaña francesa ou a bahía de Fundy no Canadá podemos produzir situações de ressonância, com uma diferença de altura entre o fluxo e o refluxo que vai desde os 15 metros na localidade francesa a 20 m na bahía do Canadá. Efeito sobre a rotação dos corpos O efeito das marés é uma diminuição progressiva na velocidade de rotação da Terra. A duração do dia é aumentada em 3.5 milisegundos por cada ciclo. Se consideramos que a Lua teve alguma vez em sua história remota uma parte fluída, os efeitos de marés provocados pela ação da Terra foram enormes. Podemos fazer um cálculo e mostrar que estes são 6000 vezes maiores que os que produzem a Lua na Terra. O efeito destas intensas marés explica o fato de que sempre vemos a mesma cara da Lua. Vênus que está muito mais próximo do Sol, tem uma baixa velocidade de rotação, a duração de um dia venusiano é de 243.16 dias terrestres, o ano venusiano consta aproximadamente de dois dias solares. Não podemos explicar certos movimentos de planetas e satélites sem recorrer ao mecanismo de fricção de marés.
AtividadesSistema imóvel Terra - Lua ou Terra Sol.Na primeira simulação comparamos os "efeitos de marés" sobre a Terra produzidos separadamente pela Lua e pelo Sol. Supomos que a Lua e o Sol estão a uma distância fixa da Terra, em seu plano equatorial, e que esta não tem movimento de rotação.
Clique na casinha titulada Forças, observe as componentes tangencial e radial das forças de marés que são exercidos em vários pontos da superfície terrestre.
A superfície da água se desvia da forma esférica e este desvio como podemos apreciar, não está em escala. Da representação gráfica sacamos as seguintes conclusões
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A Terra gira ao redor de seu eixo, a Lua da voltas em torno da Terra.Na segunda simulação, examinamos a altura da maré em um ponto situado no plano equatorial a medida que transcorre o tempo, em duas situações independentes:
Supondo que a Lua estivesse fixa, devido a rotação da Terra, ao cabo de seis horas um ponto que estivesse em q =0º ou em q =180º (maré alta) passará a posição q =90º ou q =270º (maré baixa). Seis horas mais tarde será invertida a situação e assim sucessivamente. Por tanto, no ponto do plano equatorial da Terra são produzidas duas marés altas e duas marés baixa. O "efeito da maré" produzido pela Lua quando consideramos unicamente o movimento de rotação da Terra é a oscilação de um ponto da superfície líquida com um período P0=24/2=12 horas. Finalmente, consideramos o efeito conjunto de ambos movimentos. O "efeito de maré" produzido pela Lua em um ponto da superfície líquida quando consideramos o efeito simultâneo dos dois movimentos é uma mudança no intervalo de tempo entre duas marés altas ou duas marés baixas. Se o movimento da Lua e a rotação da Terra tem o mesmo sentido, O novo período será dado por
A velocidade angular da Terra é 1 volta a cada da, la da Lua é uma volta a cada 27.32 dias.
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Efeito da Lua e do SolNa terceira simulação, examinamos o efeito em separado e conjunto da Lua e do Sol sobre as marés na Terra. Ativamos o primeiro botão de raio titulado efeito da Lua e voltamos a examinar o efeito unicamente da Lua sobre as marés, que já foi descrito no tópico anterior. Ativamos o segundo botão de raio, e observamos o efeito do Sol sobre as marés. Supomos que o centro da Terra descreve uma órbita circular ao redor do Sol com um período de 365 dias. No primeiro tópico, vimos que o efeito do Sol era muito menor que o da Lua, a posição da Terra muda muito pouco durante um dia, por que as marés devidas ao Sol tem um período de praticamente 12 horas porém sua amplitude é algo menos da metade que as produzidas pela Lua. Depois de muitos dias, começa a ser apreciável a mudança da hora na qual se produz a maré alta ou a maré baixa devida exclusivamente ao movimento da Terra em órbita circular ao redor do Sol. Ativando o botão de raio Efeito de ambos, observamos o efeito devido a Lua e ao Sol. Embora o efeito dominante é o da Lua, o comportamento é muito complexo. Porém cabem destacar dois riscos: Quando a Lua e o Sol estão alinhados com a Terra o efeito da maré e muito intenso, esta situação se denomina "maré viva", que por sua vez corresponde a as fases lunares lua nova e lua cheia. Quando a Lua e o Sol está em quadratura, logo, quando a linha que une o Sol com a Terra faz 90º com a linha que une a Terra e a Lua, os efeitos se contrapõe dando lugar as denominadas "marés mortas", que correspondem as fases lunares de quarto crescente e quarto minguante. Foi apresentado um modelo simples, que permite explicar qualitativamente as marés. Porém a realidade é muito mais complexa. A Terra não é homogênea, não é uma esfera perfeita, e a rotação faz com que o valor da aceleração da gravidade e sua direção mudem ligeiramente com a latitude, sendo mínima no Equador e máxima nos pólos. As órbitas da Lua ao redor da Terra e da Terra ao redor do Sol não são circunferências e sim elipses de pequena excentricidade. Nos mares pequenos como o Mediterrâneo o efeito das marés é relativamente pequeno. Sem engano, as marés são muito mais intensas nas costas dos grandes oceanos. Nota: O tamanho da órbita da Lua ao redor da Terra está muito exagerado na simulação, já que a razão do raio r da órbita da Lua, ao raio médio R da órbita da Terra ao redor do Sol é, r/R=0.0026
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Kapoulitsas G. On the generation of tides. Eur. J. Phys. 6 (1985) pp. 201-207
Butikov E. A dynamical picture of the oceanic tides. Am. J. Phys. 70 (10) October 2002, pp. 1001-1011