Dinâmica celeste |
ATENÇÃO: Página do Prof: Everton G. de Santana
Nesta página eu apenas traduzi podendo ter introduzido, retirado ou não alguns tópicos, inclusive nas simulações. A página original, que considero muito boa é:
Autor: (C) Ángel Franco García
Leis de Kepler O descobrimento da lei da gravitação Força central e conservativa Equação da trajetória Solução numérica das equações Órbita de transferência Encontros espaciais Trajetória espiral
Órbitas de mesma energia Trajetória de um projétil (I) Trajetória de um projétil (II) Movimento relativo Queda de um satélite em órbita até a Terra. Os anéis de um planeta Movimento sob uma força central e uma perturbação O problema de Euler Viagem a Lua |
Dados da Terra, Júpiter e o Sol A esfera de influência dos planetas Movimento da Terra e de Júpiter ao redor do Sol Trajetória de um corpo celeste Movimento da sonda espacial da Terra até Júpiter Encontro da sonda espacial com Júpiter Movimento da sonda espacial na esfera de influência do planeta Júpiter |
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Até agora foi estudado o movimento dos corpos celestes ao redor de um centro fixo de forças: o Sol, quando é estudado o movimento dos planetas ou a Terra, quando é estudado o movimento dos satélites artificiais. Nesta página, são combinados os conceitos
para estudar:
Dados da Terra, Júpiter e o SolPara resolver este problema é preciso os seguintes dados:
A esfera de influência dos planetasQuando é lançada uma sonda espacial da Terra até Júpiter, excluindo a ação dos outros planetas, a sonda passa por três etapas distintas:
Sendo d=7.78·1011 m a distância entre o centro do Sol e o centro de Júpiter. O raio da esfera de influência de um planeta é a distância ao planeta quando podemos considerar desprezível a atração do planeta em comparação com a força que exerce o Sol. É calculada mediante a fórmula devido a Laplace
sendo d a distância entre o Sol e o planeta considerado, M a massa do planeta, e Ms a massa do Sol. Esfera de influência da Terra Com os dados, Sabendo que a massa da Terra é M=5.98·1024 kg, seu raio RT=6.37·106 m, a distância entre a Terra e o Sol é d=1.496·1011 m e a massa do Sol MS=1.98·1030 kg. O raio de influência da Terra é Re=926.7·106 m ou então 145.5 raios terrestres. O tamanho da esfera de influência da Terra é muito pequeno comparado com a distância entre a Terra e o Sol d=1.49·1011 m=23485 raios terrestres. De modo que a nave espacial seguirá uma trajetória heliocêntrica determinada quase exclusivamente pelas condições iniciais no momento do lançamento e a força de atração do Sol. Na figura, são representadas a força que exerce o sol FS e a força que exerce a Terra FT sobre um objeto situado no interior da esfera de influência da Terra, no intervalo -150·RT a 150·RT ao redor do centro da Terra. Como podemos apreciar, a força que exerce o Sol é praticamente constante e igual a que exerce sobre o centro da Terra. A força que exerce a Terra é muito pequena quando o objeto se encontra na extremidade da esfera de influência, em comparação com a que exerce o Sol, tal como mostram os cálculos mais abaixo.
Por exemplo, se o objeto se encontra a uma distância para Re=145.5·RT =926.7·106 m do centro da Terra, a sua esquerda ou a sua direita. A força que exerce a Terra FT e a que exerce o Sol FS é
Esfera de influência de Júpiter Sabendo que a massa de Júpiter é M=1.90·1027 kg, seu raio RJ=6.98·107 m, a distância entre Marte e o Sol é d=7.78·1011 m e a massa do Sol MS=1.98·1030 kg. O raio de influência de Júpiter é Re=4.83·1010 m=691.8 raios de Júpiter. O tamanho da esfera de influência de Júpiter é pequeno comparado com a distância entre Júpiter e o Sol d=7.78·1011 m=11146 raios de Júpiter. De modo, que a nave espacial seguirá uma trajetória heliocêntrica determinada quase exclusivamente pelas condições iniciais no momento do lançamento e a força de atração do Sol. Na figura, são representadas a força que exerce o sol FS e a força que exerce Júpiter FJ sobre um objeto situado no interior da esfera de influência de Júpiter, no intervalo -700RJ a 700·RJ ao redor do centro de Júpiter. Como podemos apreciar, a grande extensão da esfera de influência de Júpiter, e a grande massa deste planeta fazem com que a força que exerce o Sol não seja constante e igual a que exerce sobre o centro de Júpiter, se compararmos com o caso da Terra. A força que exerce Júpiter é todavia notável quando o objeto se encontra na extremidade da esfera de influência, em comparação com a que exerce o Sol, tal como mostram os cálculos mais abaixo.
Por exemplo, se o objeto se encontra a uma distância para Re=4.83·1010 m=691.8·RJ do centro de Júpiter, a sua esquerda ou a sua direita. A força que exerce Júpiter FJ e a que exerce o Sol FS é
Os tamanhos das esferas de influência são muito pequenos comparados com a distância entre a Terra e Júpiter. De modo que a sonda espacial seguirá uma trajetória heliocêntrica determinada quase exclusivamente pelas condições iniciais no momento do lançamento e a força de atração do Sol.
Movimento da Terra e de Júpiter ao redor do SolJúpiter descreve uma órbita elíptica cujo semi-eixo maior é a=5.203 UA e tem uma excentricidade ε=0.048. O semi-eixo menor b vale
Tomamos como raio médio R da órbita de Júpiter, a média aritmética R=(a+b)/2=5.20 UA=5.20·1.496·1011 m=7.78·1011 m Suponha que Júpiter descreve uma órbita circular ao redor do Sol cujo raio RJ é igual ao raio médio R
Explicitando a velocidade VJ do planeta
Supomos igualmente, que a Terra descreve um movimento circular de raio RT=1UA=1.496·1011 m. Aplicando a dinâmica do movimento circular uniforme para obter a velocidade da Terra VT em seu movimento de translação ao redor do Sol.
Trajetória de um corpo celesteQuando uma nave espacial se move sob a ação da força de atração do Sol ou de um planeta, descreve uma trajetória que é uma cônica.
A energia E e o momento angular L são constantes por ser a força de atração central e conservativa
Sendo φ, o ângulo entre a direção da velocidade (tangente a trajetória) e a direção radial, tal como é indicada na figura. O tipo de trajetória depende do valor e do sinal da energia total E
Movimento da sonda espacial da Terra até Júpiter
Supomos que esta velocidade adicional á a proporcionada quando a sonda está próxima da Terra porém fora de sua esfera de influência. Conhecida a posição e a velocidade de partida, determinaremos a equação da trajetória heliocêntrica, sob a única influência da força de atração do Sol. A energia total e o momento angular no ponto de partida valem
Se E<0 a sonda espacial descreve uma trajetória elíptica, cujo afélio (máximo distanciamento do Sol) é rm e cujo periélio (máxima aproximação do Sol) é RT (o raio da Terra). Calculamos a velocidade vm do satélite no afélio sabendo que a energia e o momento angular são constantes em todos os pontos da trajetória.
Se rm é menor que o raio de Júpiter RJ, a nave espacial não alcança a órbita de Júpiter. Calculamos a velocidade mínima vT da nave espacial quando é lançada da Terra para que justamente chegue a Júpiter rm=RJ. Depois de fazer algumas operações chegamos a expressão
Com os dados
Obtemos vT=38481.7 m/s. Como a velocidade de translação da Terra ao redor do Sol é VT=29711.9 m/s, a velocidade adicional que devem proporcionar os impulsores a nave espacial no ponto de partida terá que ser maior que v0=vT-VT=8769.8 m/s.
Encontro da sonda espacial com JúpiterCalculamos a intersecção da órbita elíptica da sonda espacial com a órbita circular de Júpiter.
Na equação da trajetória em coordenadas polares podemos r=RJ, e explicitamos o ângulo θ.
Como a energia E é constante em todos os pontos da trajetória, obtemos a velocidade ve da sonda espacial nesta posição de encontro
Da constância do momento angular L obtemos o ângulo φ entre o vetor velocidade e a direção radial (a que une o Sol com o planeta Júpiter) mRTvT=mveRJ·senφ Tempo do encontro É um pouco mais complicado calcular o tempo que gasta a sonda espacial para encontrar com o planeta Júpiter, empregando a lei das áreas O momento angular em coordenadas polares é escrito
Integrando
A área sombreada é a área da porção da elipse compreendida entre x e a menos a área do triângulo de base r·cos(180-θ) e altura r·sen(180-θ). Sabendo que a equação da elipse é
onde a é o semi-eixo maior da elipse, b o semi-eixo menor, e c a semi-distância focal. A área da porção da elipse compreendida entre x e a é
Para integrar, fazemos a mudança de variável x=a·sen z. Os novos limites de integração são:
A área total é
O instante te de encontro é proporcional a área varrida pelo raio vetor. Conhecido r e θ, calculamos o semi-eixo maior a, que é a média aritmética dos raios mínimo e máximo da elipse.
A semi-distância focal c=ε·a O semi-eixo menor b da elipse
Suponhamos que os impulsores proporcionam a sonda espacial uma velocidade adicional de 9200 m/s no momento de sua partida nas proximidades da Terra. A velocidade da sonda medida do Sistema de Referência ligado ao Sol é vT=9200+VT=38911.9 m/s Calculamos a energia e o momento angular no ponto de partida E=-125.73·106·m J, L=5.82·1015·m kgm2/s A partir destes dados, obtemos o valor do parâmetro p, e a excentricidade ε da elipse. ε=0.715, p=2.57·1011 m Calculamos a posição do ponto de intersecção da trajetória elíptica da sonda espacial com a órbita circular de Júpiter, θe=159.6º A constância da energia E nos permite calcular a velocidade da sonda neste ponto de encontro, ve=9383.2 m/s A constância do momento angular L nos permite calcular o ângulo que forma esta velocidade com a direção Sol-Júpiter, φ=52.9º O instante no qual se encontra a sonda com Júpiter é aquele no qual r=RJ=7.78·1011 m e θ=θe=159.6º. Conhecida a equação da elipse em coordenadas polares, calculamos a, b, c e z1 e introduzimos na expressão do tempo, resultando te=682.4 dias
Movimento da sonda espacial na esfera de influência do planeta JúpiterA sonda espacial entra na esfera de influência do planeta Júpiter. Supomos que a energia potencial devida a força de atração do Sol é praticamente constante em todos os pontos desta esfera, por que a trajetória ulterior da sonda é determinada exclusivamente pela força de atração do planeta Júpiter, a velocidade inicial e sua direção no momento no qual entra nesta esfera de influência. Nos situaremos por tanto, em um Sistema de Referência ligado ao planeta Júpiter, calculamos a velocidade inicial e sua direção neste Sistema de Referência.
Seja ve é a velocidade da sonda espacial medida no S.R. ligado ao Sol, VJ é a velocidade do planeta Júpiter ao redor do Sol. A velocidade we da sonda espacial relativo a um S.R. ligado a Júpiter é. we=ve-VJ Decompomos as velocidades, na direção radial (Sol-Júpiter) e na direção perpendicular a radial. we·senα=ve·senφ-VJ Continuando com os dados do tópico anterior, calculamos a velocidade da nave espacial we=7926.2 m/s e sua direção α=-44.4º relativo a reta que une o Sol com Júpiter, medidos no S.R. ligado a este planeta. Para determinar a equação da trajetória calculamos a energia Σ e o momento angular Γ da sonda espacial neste novo S.R.
Para calcular o momento angular, necessitamos um dado a mais, o parâmetro de impacto ou a máxima aproximação rm da sonda espacial ao centro de Júpiter. Escolhemos este segundo parâmetro por ser mais significativo que o primeiro. Γ=mrm·wm·sen90º= mwm·rm Como a energia total Σ é constante em todos os pontos da trajetória, a velocidade máxima da nave espacial no ponto de máxima aproximação é
A energia Σ e o momento angular Γ determinam a equação da trajetória. A nave espacial descreve uma trajetória hiperbólica aproximando-se do planeta a uma distância rm, onde alcança a máxima velocidade e logo, sai da região de influência de Júpiter com a mesma velocidade inicial we porém girada de certo ângulo como veremos a seguir. Com os dados do raio de Júpiter rJ=69.8·106 m e da massa de Júpiter MJ=1.90·1027 kg, calculamos a energia total Σ =28.79·106·m J. Com o dado da distância de máxima aproximação rm=2.84·rJ raios planetários ou então rm=198.2·106 m. calculamos a velocidade da sonda nesta posição wm=36553.8 m/s, e o momento angular Γ= 7.25·1012·m kg·m2/s. Conhecida a energia Σ e o momento angular Γ a equação da trajetória é
O ângulo que forma a direção final da velocidade é calculado colocando r→∞,logo
O ângulo que forma a direção inicial e a direção final da velocidade é 2θL-180 tal como podemos ver na figura. Com os dados anteriores da energia Σ e do momento angular Γ temos que ε=1.09, y θL=156.5º.
Trajetória final da sonda espacialUma vez que a sonda espacial saiu da esfera de influência do planeta Júpiter, passemos de novo ao Sistema de Referência situado no Sol. O eixo da hipérbole tem que girar um certo ângulo para que a velocidade inicial w forme um ângulo α com a reta que une o Sol com o planeta Júpiter, tal como é mostrado na figura. A velocidade final w’ formará um ângulo β=2θL-180+α com esta direção.
A velocidade final v’ da sonda será a soma vetorial v’=w’+VJ
Decompomos a velocidade, na direção radial (Sol-Júpiter) na direção perpendicular a radial. v’·sen
φ’=w·senβ+VJ Com os dados β=2·156.5-180-44.4=88.7º, w=7926.2, e VJ=13028.8 m/s, obtemos v’=20953.8 m/s A sonda sai da esfera de influência de Júpiter com velocidade v’, sua distância ao Sol é aproximadamente igual a RJ=7.78·1011 m. A sonda espacial se move sob a ação da força de atração solar. A energia e o momento angular são
L’=mv’RJ·senφ’ Com os dados anteriores, E’=49.8·106·m J e L’=1.63·1016·m kgm2/s A trajetória é uma hipérbole, por que a energia é positiva. A sonda espacial se distancia do Sol para não regressar nunca mais.
Estudo energéticoNa parte direita na simulação, foi colocada uma barra, que mostra as variações energéticas que experimenta a sonda espacial ao longo de sua trajetória. Um corpo situado a uma UA do centro do Sol tem uma energia potencial negativa igual a
Para que o corpo saia do Sistema Solar temos de proporcionar uma energia cinética suficiente para que a energia total seja maior ou igual a zero. A velocidade de escape ve é a velocidade que proporcionamos a um corpo para que chegue ao infinito com velocidade nula.
Não é necessário aportar esta enorme quantidade de energia a sonda espacial para que visite os planetas exteriores e se distancie do Sistema Solar. Como a sonda espacial se move com a Terra, se lançamos a sonda na direção tangente a órbita circular e no sentido do movimento da Terra, VT=29711.9 m/s. A velocidade de escape é reduzida
Podemos reduzir um pouco mais a velocidade de lançamento e por tanto, a energia que transportam os impulsores da sonda, se aproveitamos o encontro favorável com um planeta massivo como Júpiter tal como foi estudado nesta página. Agora então, como foi calculado no princípio desta página, para que a sonda espacial chegue da Terra a órbita de Júpiter é necessário proporcionar uma velocidade superior a 8769.8 m/s Entre o ponto de partida da sonda espacial, nas proximidades da Terra, e no ponto de chegada nas proximidades de Júpiter, a energia total é mantida constante e seu valor, com os dados, que foi usado, é E=-125.73·106·m J Ao sair da esfera de influência de Júpiter, a energia final é E’=49.8·106·m J≥0 que é mais que suficiente para que a sonda abandone o Sistema Solar.
AtividadesIntroduza
Clique no botão titulado Começar. A velocidade que introduzida tem que ser menor que 12.0 km/s, para que a sonda siga uma trajetória elíptica. Observe a trajetória seguida pela nave espacial em seu caminho para Júpiter desde seu lançamento nas proximidades da Terra. O planeta Júpiter aparece rodeado de um círculo de cor amarela que nos indica o tamanho relativo de sua esfera de influência. Se a sonda chega a Júpiter, mudamos o Sistema de Referência colocando ligado a este planeta, e observamos a trajetória hiperbólica da nave espacial no interior de sua esfera de influência. Na simulação não é observada toda a trajetória, somente a contida na esfera de raio 60 vezes o raio de Júpiter. Quando a sonda espacial sai da esfera de influência de Júpiter, mudamos para o Sistema de Referência colocando ligado ao Sol e observamos a trajetória heliocêntrica completa, a inicial desde a Terra até Júpiter e a final desde Júpiter em diante. Na parte direita na simulação, podemos observar os dados da velocidade da sonda e do ângulo que forma a velocidade com a direção Sol-Júpiter. São indicados também os tempos parciais em cada uma das etapas do movimento. A barra colorida da direita nos mostra as variações energéticas. A energia potencial é negativa, e a energia cinética é positiva. A energia total (a soma de ambas contribuições) está mostrada por um segmento de cor clara, e seu valor é indicado em milhões de joules, ·106·m J. Sendo m a massa da sonda. Exemplo: Para ver a trajetória completa introduzir os seguintes dados:
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Van Allen J. Gravitational assist in celestial mechanics- a tutorial. Am. J. Phys. 71 (5) May 2003, pp. 448-451.