Movimento de queda de um satélite artificial devido ao atrito com a atmosfera.

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Dinâmica celeste

ATENÇÃO: Página do Prof: Everton G. de Santana

Nesta página eu apenas traduzi podendo ter introduzido, retirado ou não alguns tópicos, inclusive nas simulações. A página original, que considero muito boa é:

www.sc.ehu.es/sbweb/fisica

Autor: (C) Ángel Franco García

Leis de Kepler
O descobrimento da
lei da gravitação
Força central e
conservativa
Equação da trajetória
Solução numérica das
equações
Órbita de transferência
Encontros espaciais
Trajetória espiral
Encontro de uma sonda
espacial com Júpiter
Órbitas de mesma
energia
Trajetória de um 
projétil (I)
Trajetória de um 
projétil (II)
Movimento relativo
marca.gif (847 bytes)Queda de um satélite em
  órbita para a Terra.
Os anéis de um planeta
Movimento sob uma
força central e uma
perturbação
O problema de Euler
Viagem a Lua

Órbita circular

Movimento de queda até a Terra

Aproximações

Atividades

Referências

 

Nesta página, é estudado o movimento de queda de um satélite artificial, que foi posto em órbita circular ao redor da Terra a uma altura h acima de sua superfície. Suponhamos que a Terra está rodeada por uma atmosfera formada por uma capa de gás de densidade uniforme, cujo raio externo é maior que o da órbita do satélite, de modo que, a força de atrito que é exercida sobre o satélite é constante.

Na realidade, a atmosfera está formada por várias capas, definidas de acordo com a variação vertical da temperatura:

  • na troposfera, a temperatura diminui com a altura a razão de 0.6ºC a cada 100 m.
  • na estratosfera, a temperatura permanece praticamente constante
  • na mesosfera, a temperatura aumenta e logo diminui
  • na termosfera, a temperatura cresce regularmente com a altura.

Também podemos subdividir a atmosfera em camadas de acordo com a composição química:

  • a homosfera (até 100 km), os constituintes principais do ar (oxigênio e nitrogênio) permanecem em proporção constante.
  • a heterosfera (de 100 km a 1000 km), predominam os gases ligeiros, hidrogênio, nitrogênio, hélio.
  • a exosfera, (a partir de 1000 km) as moléculas mais ligeiras escapam para o espaço exterior vencendo a força de atração da Terra.

No capítulo Física Estatística e Termodinâmica, é estudado um modelo simples de atmosfera de um planeta, a pressão e a densidade diminuem exponencialmente com a altura, supondo que a temperatura permanece constante.

A força de atrito sobre o satélite dependerá em geral, de sua forma, da densidade do ar e da velocidade do satélite, por isto a equação do movimento resultará bastante complicada. Nesta página, faremos algumas aproximações que nos permitiram descrever de forma fácil o movimento do satélite.

 

Órbita circular

Consideremos um satélite artificial que descreve uma órbita circular ao redor da Terra de raio R. Aplicando a equação da dinâmica do movimento circular uniforme temos que:

 

onde G=6.67·10-11 Nm2/kg2, e M=5.98·1024 kg é a massa da Terra e seu raio é de 6370 km.

Como vemos na figura, quando o satélite descreve uma órbita circular, a velocidade é perpendicular a direção radial, ou na direção da força de atração.

Por ser a força de atração conservativa, a energia do satélite artificial é constante em todos os pontos da circunferência que descreve.

A energia total E é a metade da energia potencial, e é negativa.

 

Movimento de queda para a Terra

Quando o satélite artificial cai para a Terra descreve uma espiral. O ângulo que forma a velocidade com a direção radial já não é 90º e sim um ângulo 90º-φ um pouco menor. Em outras palavras, a direção da velocidade está ligeiramente por abaixo da direção horizontal local. A direção normal (perpendicular a direção da velocidade) já não coincide com a direção radial e sim que formam um ângulo φ.

Na figura, são mostradas as forças sobre o satélite quando está a uma distância r do centro da Terra.

  • A força de atração F
  • A força de atrito Fr que supomos constante e de sentido oposto a velocidade.

Decompomos a força F na direção da velocidade (tangencial), e na direção perpendicular a velocidade (normal).

As equações do movimento na direção tangencial e na direção normal são:

mat=F·senφ-Fr
man=F
·cosφ

  • a primeira nos da conta como varia o módulo da velocidade v do satélite com o tempo.
  • a segunda, como varia a direção da velocidade

Onde rc é o raio de curvatura da trajetória, um valor distinto do radio r da trajetória circular com centro na Terra.

Solução numérica

Podemos estabelecer as equações do movimento em coordenadas retangulares:

max=-F·cosθ+Fr·sen(θ)
may
=-F·senθ-Fr·cos(θ)

com

x=r·cosθ    y=r·senθ
vx
=-v·sen(θvy=v·cos(θ)

As duas equações do movimento são transformadas em um sistema de duas equações diferenciais de segundo ordem, que são resolvidas por procedimentos numéricos, com as condições iniciais t=0, x=R, y=0, vx=0, vy=v0. Onde v0 é a velocidade do satélite artificial quando descreve uma órbita circular inicial de radio R.

 

Aproximações

Fazendo algumas aproximações, podemos descrever a equação do movimento do satélite artificial de uma forma simples.

Se supormos que o ângulo φ é pequeno e que por tanto, a componente da velocidade v ao longo da horizontal local é vH=v·cosφv, e que a componente radial vR é pequena, por que

senφ≈tanφ=-vR/vH

A equação

seria a de um satélite que estivesse descrevendo uma órbita circular de raio r com velocidade vH=v·cosφ

Simplificando m e r e a continuando, derivando com relação a r temos que

 

A aceleração tangencial vale, empregando a regra da cadeia

Destas duas últimas equações chegamos a

Com esta aproximação, a equação do movimento na direção tangencial

mat=F·senφ-Fr

é escrita

O ângulo que forma o vetor velocidade com a horizontal local é

Chegamos a seguinte conclusão paradoxal

mat=Fr

A força de atrito incrementa o módulo v da velocidade do satélite. Na realidade, é a resultante das duas forças (atração e atrito) a qual tem uma componente na direção velocidade do satélite, como pode facilmente comprovar-se a partir dos esquemas desta página.

As equações que nos permitem obter a posição do móvel em coordenadas polares (r, θ) em função do tempo t são:

Onde v0 é a velocidade do satélite artificial na órbita circular inicial de raio R, que descreve no instante inicial t=0.

A energia inicial do satélite artificial foi calculada no tópico anterior. A energia final, supondo de novo que o satélite artificial descreve uma órbita quase circular de raio r com velocidade v, será

A energia perdida por causa do atrito do satélite artificial com a atmosfera é a diferença

 

Atividades

O objetivo do programa interativo não é o de realizar um cálculo da posição e da velocidade do satélite artificial, e sim a de mostrar sua trajetória em forma de espiral, e como aumenta sua velocidade a medida que desce.

Introduza

  • A altura do satélite em km, acima da superfície da Terra movendo o dedo na barra de deslocamento titulada Altura.

  • O quociente Fr/m da força de atrito Fr e a massa m do satélite movendo o dedo na barra de deslocamento titulada Atrito.

Clique no botão titulado Começar.

Observe o movimento do satélite ao redor da Terra, até que choca com sua superfície, uma circunferência de cor azul representa a órbita circular inicial.

São proporcionados os dados do tempo em horas, a velocidade em m/s e a altura em km sobre a superfície da Terra.

A esquerda, são representadas mediante barras de cores as variações energéticas:

  • em cor azul, a energia cinética que é positiva
  • em cor vermelha, a energia potencial que é negativa
  • uma raia de cor claro, indica a energia total E, por unidade de massa m, cujo valor é mostrado em milhões de J/kg.
  • Uma barra de cor preta mostra a diferença entre a energia inicial e a final, ou a perda de energia devido ao atrito a medida que cai o satélite para a superfície da Terra.

Exemplo:

Introduzimos os dados

  • Altura h=5000 km

  • Atrito Fr/m=0.025

Calculamos o ângulo que forma a direção da velocidade com a horizontal local

O ângulo φ é muito pequeno e vai diminuindo a medida que o satélite artificial se aproxima da Terra.

 

Referências

Mills B. D.. Satellite paradox. Am. J. Phys. 27 (1959) pp. 115-117

Arons. A. A F=ma analysis of the spinning skater and decaying satellite orbit. The Physics Teacher 37, March 1999, pp. 154-160